Segurança VS Emoção

Ou você morre como herói, ou vive o suficiente…

O Cisne vira um pato

O limite entre a segurança e a emoção no esporte

Os testes da pré-temporada estão terminando, mas isso não significa que as surpresas tem que parar. Tudo começa com um dia normal até que a tão temida novidade surge: novos protetores de cabeça. Kimi Raikkonen foi o primeiro piloto a testar o novo sistema chamado “halo”, que visa aumentar a proteção da cabeça dos pilotos. A primeira impressão, que foi amplamente apoiada pelos pilotos, se refere a estética: é feio. Outros pilotos, em consonância com boa parte dos fãs acredita que o elemento perigo não pode estar completamente ausente das provas de Fórmula 1, ao passo que outros, como Felipe Massa, defendem proteções do gênero ou até proteções mais drásticas. Único a experimentar a novidade, Kimi disse que não havia grandes diferenças na visibilidade e que provavelmente esse não seria o modelo definitivo, então poderia melhorar ainda mais.

Conceito de Proteção de Cabeça "halo". Ferrari SF16-H, Kimi Raikkonen. © Sutton Motorsport Images

Conceito de Proteção de Cabeça “halo”. Ferrari SF16-H, Kimi Raikkonen. © Sutton Motorsport Images

Phillipe Bianchi, pai de Jules, achou louvável o esforço na busca de sistemas mais efetivos para a proteção dos pilotos e se declarou completamente a favor disso, no entanto não demonstrou plena satisfação com o conceito apresentado. Segundo Phillipe, há outros fatores de riscos que não seriam evitados pelo “halo”, como detritos pequenos (caso de Justin Wilson e Felipe Massa) e a brusca desaceleração (o que vitimou Jules).

            Embora a busca por maior segurança nas corridas seja constante, sempre é necessário que um fato surpreendentemente triste aconteça para que mudanças efetivas sejam tomadas. Todavia é necessário ter em mente que as medidas a serem adotadas não podem ter motivação no desespero e na dor presente, pois isso pode significar um sério impacto na categoria como um todo. A possibilidade de utilizar o cockpit fechado e sistemas como o “halo” ganhou grande repercussão desde as fatalidades que envolveram Justin Wilson e Jules Bianchi. De um lado levantaram aqueles que dizem que o show não vale o risco do sacrifício de uma vida e do outro lado levantaram aqueles que evocam os tempos heroicos de outrora, em que o risco era uma constante e somente os bravos e corajosos se atreviam a entrar nos “pequenos caixões” a mais de 300km/h.

            Até onde vai o limite entre a segurança e a emoção? É sabido que os pilotos se atrevem a correr esse risco, caso contrário não seriam pilotos. É sabido que os fãs querem velocidade, grandes ultrapassagens e a possibilidade de erro. Pensando somente na F1, que é uma categoria com carros que facilmente ultrapassam os 300km/h é altamente recomendável observar que a evolução dos últimos 20 anos já atingiu patamares altíssimos e que a chance de fatalidade, embora existente, está extremamente reduzida. Um pensamento que permeia aqueles que são contra a adoção do cockpit fechado é simples: se todos os acidentes graves e fatais implicarem em mudanças nos conceitos dos carros, a Fórmula 1 perderá completamente a sua identidade. Ainda que seja praticamente inevitável a adoção de uma proteção adicional aos pilotos, é preciso ter um limite para tudo, até mesmo para a segurança.

O Presente e o Futuro da Categoria

A Red Bull também pretende realizar um teste com seu conceito, que teoricamente seria mais eficiente e esteticamente aceitável. Seria como um para-brisa, que protegeria a cabeça do piloto contra detritos. O conceito é frequentemente associado ao carro do Batman.

Embora ninguém deseje fatalidades em qualquer modalidade ou categoria de qualquer esporte, é necessário ter em vista que a Fórmula 1 vive uma crise muito séria, que necessita de uma rápida solução. Sendo assim, qualquer decisão a ser tomada, tanto no campo da aerodinâmica, competitividade ou segurança deve ser muito bem fundamentada e consistente, pois uma categoria de excelência não pode ficar a deriva.

Encerramos a postagem com uma frase do homem morcego. Estaria a categoria virando vilã de si mesma ao incrementar tanto? Ou, como o nosso herói, é necessário posar de vilã para que o verdadeiro heroísmo possa surgir?

“Ou você morre herói,

ou vive o bastante para ver você mesmo

se tornar o vilão”.

Batman