Procura-se campeonato à altura dos fãs

f1-corrida

Faltam fãs. É o que ouço muito falar há um bom tempo sobre F1. Não há mais interesse, as corridas não tem graça… para o brasileiro, a categoria se foi com Senna em 1994. Tais argumentos, ainda que verdadeiros para alguns, não correspondem a realidade, e a prova disso foi Interlagos 2015. Ano após ano, o autódromo continua movimentado e falado, parando São Paulo, com suas arquibancadas lotadas no final de semana da corrida.

A pista, que já sediou diversas decisões emocionantes, como o tricampeonato de Vettel em 2012 ou a derrota de Massa para Hamilton em 2008 (que ainda assombra os fãs brasileiros), nunca deixa de viver a F1, e 2015 foi a prova disso: mesmo com o campeonato já ganho e com uma corrida monótona, a torcida garante o show, com as vibrações a cada rápida passagem de um piloto querido (não apenas Massa e Nasr), as bandeiras do país ou de equipes junto à sorrisos largos nos rostos e à copos de cerveja nas mãos, e como sempre, os cantos em uníssono de “olê olê olá…Senna…Senna”.

A F1 teve, de fato, uma queda de audiência em âmbito mundial. Entretanto, ainda se encontra velhos fãs que não abandonaram a categoria com Senna, Mansell, Lauda ou Prost. Há também uma nova geração de fãs, que só viram Hunt e Lauda nos cinemas, mas que sabem tudo sobre Sebastian Vettel, Felipe Nasr, DRS, novos regulamentos, a última alteração no traçado de Abu Dhabi ou ainda o último post de algum piloto nas redes sociais. Outros também deixaram ou continuam com a F1, mas dividem sua atenção com outras categorias, como a GP2 ou a Indy.

A F1, hoje, mistura o clássico com o inédito, diversas gerações de fãs, todos querendo o mesmo: a emoção de acompanhar “pegas” inesquecíveis, pilotos de ponta competindo, o campeonato decidido na última corrida do ano, talvez na última volta.

A aposentadoria de Schumacher abriu uma nova era, brevemente mas não facilmente dominada por Vettel. Há um altíssimo nível de competitividade e até algumas rivalidades entre os pilotos, nomes de peso no grid e alguns construindo seus nomes: Alonso, Button, Räikkönen, Vettel, Massa, Bottas, Rosberg, Hamilton, Ricciardo, Kvyat, Perez, Nasr, Verstappen. Pilotos com ainda muito para dar antes da aposentadoria, pilotos buscando manter-se por cima e novatos que prometem muito e podem até tirar proveito de algumas ousadias (também aprender com elas). A F1 precisa de campeonatos com menos Mercedes e que façam jus aos novos e eternos fãs apaixonados.