Por que a F1 está indo para o Azerbaijão?

por Jaqueline Trevisan Pigatto

Mal termina o GP canadense e o circo da F1 já está a caminho de Baku, capital do Azerbaijão para o GP da Europa, de volta ao calendário da categoria. Sim, esse país é europeu, lá na fronteira com a Ásia. E é um país em ascensão. Trata-se de um Estado emergente, produtor de petróleo, com alto desenvolvimento urbano e IDH superior ao de seus vizinhos, tentando atrair turistas e atenção do ocidente. A F1 não é o esporte mais popular, mas certamente é uma vitrine para isso. Com muitos países “tradicionais” se preocupando com crises, como Alemanha, Ecclestone teve a ideia de levar a F1 ao Azerbaijão no final de 2013, tendo as obras terminadas apenas para estrear esse ano (junta-se a casos como do Bahrein, de Cingapura e dos Emirados Árabes Unidos). Por falar em custos financeiros, o contrato que Interlagos tem com a F1 até 2020 não impede Bernie de retirar o GP do calendário já no ano que vem, como ele vem recentemente insinuando.

Será essa uma tendência que veio para ficar? Cada vez mais a F1 perde espaço em países onde cresceu e migra para os que mal conhecem o esporte, e passam a conhecer pelo interesse financeiro. Logo em seguida, o governo financia algum jovem piloto promissor (ainda que seja algo arriscado e de duração imprevisível, como no caso do indonésio Haryanto). A contradição fica por conta da falta de interatividade da categoria com os fãs, algo que a Heineken (nova parceira da F1) poderá mudar.

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Hermann Tilke, o astro do design de pistas, autor do circuito de Baku, procurou captar a atmosfera urbana com o centro velho da capital, onde criou o 2° maior circuito do calendário (perde apenas para Spa, na Bélgica). A intenção foi criar o circuito de rua mais veloz da temporada (a maior reta possui 2,2km). Assim, há enorme expectativa por parte dos pilotos e das equipes, além dos fãs, claro. Para quem acompanha fortemente automobilismo, Baku não é novidade. A categoria GT já realizou 3 etapas na capital, entre 2012 e 2014, também em circuitos de rua.

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A pista parece ter pontos bem estreitos, o que pode dar trabalho para alguns pilotos. Alia-se a isso o fato de a pista ser longa, o que pode tornar a corrida um tanto quanto tediosa (esperamos que não). As longas retas podem ser o ingrediente certo para dar emoção à prova, onde se esperam muitas ultrapassagens, além de diferenciar Baku de circuitos de rua como Mônaco. O circuito já está presente no jogo oficial da categoria, o F1 2016.

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O GP da Europa ocorre tradicionalmente desde a década de 1980, tendo suas últimas edições ocorridas em Valência, na Espanha (de 2008 até 2012). Desde 2013 o GP da Europa não faz parte do calendário, retornando esse ano. Além de Valência, já teve edições em Nürburgring (Alemanha), Jerez (também na Espanha), Brands Hatch e Donington Park, na Inglaterra. Assim, pela primeira vez o GP ocorrerá em um país onde não há uma corrida própria, como GP da Inglaterra (realizado em Silverstone).

Fernando Alonso, que é o embaixador do GP da Europa, já visitou a cidade, se encontrou com a mídia internacional, fez sessão de autógrafos, inspecionou a pista e deu até discurso para os fiscais e voluntários. Vamos esperar para que esse também seja um trabalho surpreendentemente bom, que tenha segurança e rapidez, pois até em Montreal, onde o GP ocorre há muito tempo, os serviços dos fiscais estava lento no último final de semana. Vários hotéis na cidade já estão lotados, mas ainda não todos (a cidade não conta com uma rede hoteleira muito grande). Os setores mais baratos do circuito também já estão esgotados.

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A expectativa para Baku se torna maior ainda depois que Lewis Hamilton diminuiu a vantagem que Nico Rosberg mantinha na liderança do campeonato: 9 pontos separam os pilotos da Mercedes. Será que teremos muitas bandeiras amarelas no final de semana? As atividades começam na sexta, 6h. Classificação no sábado e corrida no domingo são às 9h, horários de Brasília.