O que ocorre com a venda da Fórmula 1 para a Liberty Media?

por Jaqueline Trevisan Pigatto

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Na última semana o mundo todo noticiou a consolidação da venda que há algum tempo já vinha sido discutida: os direitos comerciais da F1 saem das mãos de Bernie Ecclestone e passam a ter a maior parte das ações a corporação estadunidense Liberty Media. A companhia já possui, atualmente, boa parte das ações da Time Warner, Live Nation, Viacom, entre outros.

Acontece que Ecclestone continua no comando do “circo” por pelo menos mais 3 anos. Nada mais justo, já que os novos donos não tem nenhuma experiência com a F1. Apesar do magnata britânico visar sempre o máximo lucro com o mínimo de investimentos, procurando sempre um país “novo” para abrigar um GP e cobrar custos absurdos para distribuição de transmissão do esporte mundialmente, a categoria continua de pé e em ótimo estado (para quem pode pagar).

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É a oportunidade para a empresa americana expandir o esporte e torná-lo mais acessível, algo que já foi declarado como interesse pela Liberty. A começar pelas redes sociais, aproveitar o uso da Internet para levar a F1 a qualquer fã em qualquer lugar do mundo, ampliar o contato com o público.

E já que a corporação é da terra do Tio Sam, fica difícil não imaginar a categoria tendo mudanças que atraiam o público estadunidense. O GP do Texas parece não estar sendo suficiente. Além disso, outra novidade que os novos donos prometem é ampliar a participação das equipes nas ações, o que poderia maximizar seus lucros. Isso é um tanto quanto preocupante, já que a maioria dos fãs gostaria de um nivelamento nas performances das equipes. É um daqueles cenários de “esperar pra ver”.

Com Bernie Ecclestone já em seus 85 anos de idade, começamos a presenciar a transição da categoria de suas mãos para algo novo. Ao mesmo tempo, vai acabando uma geração de pilotos dos últimos 10 anos. Na próxima temporada, em 2017, apenas Kimi Räikkönen (Ferrari) e Fernando Alonso (McLaren) serão os veteranos do grid, muito provavelmente pela última vez. Há ainda a possibilidade do retorno de Jenson Button à McLaren em 2018, o que faria dele o piloto mais velho do grid.

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Para nós, brasileiros, outra preocupação de mudança é a transmissão da Rede Globo, detentora única das imagens da categoria no país. Com a aposentadoria de Felipe Massa no próximo ano, se Felipe Nasr não vingar, é possível que a emissora migre todo o conteúdo do final de semana, ou seja, a corrida, para seu canal na TV fechada, Sportv. Infelizmente, dependemos de pilotos brasileiros para ter acesso ao esporte no país.

Que fique o GP de Interlagos no calendário, pelo menos!