História: O Rei do Gasogênio

Eu queria ser Chico Landi _ promo from Ebisu Filmes on Vimeo.

A história do pioneiro

A história da paixão do brasileiro por automobilismo perpassa a admiração por grandes campeões, tanto em categorias de turismo quanto de fórmula, e atém de forma especial a Fórmula 1. Nesta última há muitos motivos e campeões para se orgulhar: Senna, Piquet, Fittipaldi. Não sendo injusto com os vice-campeões do início deste século: Felipe Massa e Rubens Barrichello. Evidentemente o Brasil tem um leque de grandes pilotos em diversas categorias, mesmo que alguns não tenham alcançado o ponto mais alto do pódio ou nunca tenham conquistado um campeonato mundial. Mas onde essa história começou?

O Ronco dos Motores: o pulsar de um coração.

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A necessidade de ouvir o ronco dos motores, de observar a potência, o desempenho dos automotivos é uma marca registrada brasileira, observada principalmente na lotação dos autódromos, audiência televisiva (mesmo em queda em algumas categorias) e na permanente participação de pilotos brasileiros nas principais categorias. Uma das grandes faces dessa apaixonada relação é Francisco Sacco Landi (1907-1989), o Chico Landi, cuja história remonta a história do automobilismo em si.

Os Grandes Prêmios

Anos 30 a 40 – Pré Guerra e Guerra

Antes da Fórmula 1 surgir (1950) já existiam os Grand Prix, e os pilotos já arriscavam suas vidas em busca de velocidade. Filho de italiano e brasileira, nascido em São Paulo, Chico Landi começou sua carreira no Circuito da Gávea (Trampolim do Diabo), uma pista com mais de 100 curvas, 11,1 km de extensão que cortava as ruas do Rio de Janeiro. Esse circuito sediou o Grande Prêmio do Rio de Janeiro em 16 edições e tem o próprio Landi como maior vencedor (3 vezes)

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Utilizando etanol nacional, enquanto outros valiam-se etanol importado, Chico desbravou e e ganhou notoriedade em muitos outros circuitos de rua brasileiros, como Campinas (SP) e São Vicente (SP).

A II Grande Guerra no entanto trouxe, entre os muitos terrores, o racionamento de combustível, algo fatal para o automobilismo. Esse racionamento só foi contornado com a adoção do gasogênio (leia no final da postagem uma breve explicação sobre o gasogênio), que substituiu a gasolina nos carros de rua e no automobilismo. Também nesse quesito Landi foi destaque e foi campeão nacional consecutivamente por 3 vezes (43-45), o que lhe rendeu o apelido de “Rei do Gasogênio”.

Anos 40 e 50: brasileiros também vencem

Brigando entre feras internacionais, como Ascari, Fangio e Farina, Chico ingressou nas corridas do velho continente. Pilotou uma Maserati no Grande Prêmio de Bari em 1947 e no ano seguinte, com uma Ferrari, venceu este mesmo GP, feito que repetiu em 1952. A vitória em 48, no entanto, gerou um pequeno problema: a organização do Grand Prix não esperava essa vitória e não dispunha do Hino Nacional Brasileiro, O Guarani (de Carlos Gomes) foi executado no lugar.

Fórmula 1

Embora nunca tenha vencido na categoria máxima do automobilismo, lá ele também fez história nos 6 GPs que disputou, marcando aqueles que seriam os primeiros pontos brasileiros (1,5 pontos por um 4º lugar no Grande prêmio da Argentina, em 1956).

Interlagos

Anos 50, 60 e 70

Chico, a partir de 56, começou a correr em carreteras, carros que misturavam peças de várias marcas e componentes artesanais. As carreteras foram utilizadas nas 1000 milhas de Interlagos, fazendo com que Landi pilotasse por mais de 9 horas, que junto com seu companheiro Jair de Mello Viana, conquistaram um segundo lugar. Chegou a vencer, com José Gimenez Lopes, a corrida do ano seguinte, mas foi desclassificado, devido a problemas no carro (defeito nas luzes traseiras).

Em 1960, Chico finalmente conquistou as 1000 milhas, utilizando um carro nacional, ao invés de um carro importado. Após competir no ano seguinte, deixou de participar dessa corrida longa duração.

Participou de diversas outras provas em Interlagos. Sendo a última em 1974, quando tinha 66 anos, quando conquistou um 3º lugar nas 25 horas de Interlagos.

Anos 80

Em 1986 tornou-se administrador do Circuito José Carlos Pace (Interlagos) e batalhou muito para que o autódromo voltasse a sediar o Grande Prêmio de Fórmula 1, que era disputado em Jacarepaguá (RJ). O feito foi conquistado e em 1990 o GP Brasil de F1 retornou para São Paulo, onde até hoje permanece. Landi não pôde assistir a esse retorno, pois havia falecido em 07 de junho de 1989, aos 81 anos.

Eu queria ser Chico Landi

2017

Foi anunciado em outubro de 2015 o lançamento do Documentário “Eu queria ser Chico landi”, de Guga Landi e Paulo Pastorelo. O filme, com lançamento previsto para fevereiro de 2017, contará a história deste que é o pioneiro do Brasil no automobilismo.

Infomação Adicional: Gasogênio.

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O gaseificador, ou gasogênio, produz, através da queima controlada de madeira, carvão, cascas ou outros, uma mistura gasosa que é utilizada como combustível. Essa mistura geralmente é composta por Hidrogênio, Monóxido de Carbono, Metano, Nitrogênio e Dióxido de Carbono, destes apenas os 3 primeiros atuam como combustível, tornando essa mistura pobre, dando o apelido de “gás pobre” a ela. Foi aplicado principalmente durante a II Guerra Mundial, devido ao racionamento de combustíveis fósseis. Atualmente seu uso se restringe a agricultura de modo geral.