
Talvez poucos tenham percebido isso. Mas a Fórmula 1 completará sessenta anos de existência na próxima temporada. Na sexta década de vida, ela sofrerá uma grande revolução e caminha para entrar numa “nova Era”.
Eu não falo aqui apenas de pilotos, mas também da mentalidade no esporte. Se nos anos 50 nós tivemos o primeiro contato, ainda com regulamentos confusos e certo amadorismo, a década seguinte já serviu para amadurecer a Fórmula 1.
Os anos 60 começaram com mudanças no regulamento. Iniciou-se a “Era dos garagistas”. Além de ter sido palco de uma das mais importantes descobertas: a aerodinâmica, que revolucionou a Fórmula 1 no fim da década.
Esse novo conceito de carros se refletiu nos anos seguintes, dando um novo tom para os anos 70. Começava a “Era do desenvolvimento tecnológico”. E, claro, dos motores Cosworth, o famoso V8 da Ford. Além dos pneus slick e também dos patrocínios nos carros.
Mas foi nos anos 80 que a Fórmula 1 começou a se popularizar realmente. Nós tivemos a ascensão dos motores Turbo e uma “Era” fantástica de dominação da Williams e da McLaren. Para muitos, os anos 80 foi um dos momentos mais fantásticos da categoria. Essa “Era” terminou realmente apenas em meados dos anos 90 com a morte de Ayrton Senna.
Esse acontecimento abalou a estrutura da categoria. O desenvolvimento tecnológico cresceu principalmente pela maior preocupação com a segurança.
Os carros sofreram modificações significativas a partir daquele momento. E todos sabemos que a Fórmula 1 viveu (e vive) dias difíceis desde então.
Uma situação que se amenizou (ou agravou) com o mito “Michael Schumacher”, que marcou os anos 2000. Junto com Jean Todt e Ross Brawn, foi criada uma marca na F1: a do super-piloto e do super-carro.
Essa “Era” terminou apenas com o título de Fernando Alonso, em 2005. Algumas coisas começaram a mudar desde então. Principalmente na parte técnica e a Fórmula 1 passou a perder sua identidade.
Agora nós estamos diante de novos tempos novamente. O título da Brawn e a ascensão da Red Bull são apenas alguns sinais para os novos tempos da categoria. Enquanto os anos 2000 marcaram a entrada das montadoras, os anos 2010 devem ter uma nova tendência: os investidores.
Eles darão mais valor aos garagistas na teoria. Na prática, a linha não muda muito do que era com as montadoras. Afinal, o lucro é o principal objeto de desejo.
Quanto aos pilotos, é difícil prever se haverá uma nova “Era de dominação”. O passado mostra que isso acontece. Foi assim com Fangio nos anos 50. Com a Lotus na década de 60. Ferrari e McLaren dominaram os anos 70. Williams e McLaren os anos 80. E a Williams, de certa forma, foi a grande vencedora na década de 90.
Nos anos 2000, é claro, Schumacher e Ferrari gravaram o nome na história. Mas será que haverá uma força principal a partir de agora?
A Ferrari tende a retomar o caminho das vitórias. Quanto a McLaren, eu vejo uma década difícil para a equipe. Quem pode surpreender é a Mercedes ou até mesmo a Red Bull e a Williams.
Enfim, a diferença é que existem muitas forças nesse momento. E muitos bons pilotos. Ou seja, a tendência é que os “anos 2010″ sejam realmente marcados pela competitividade e não por um domínio absoluto de uma única equipe ou piloto. O que vocês acham?
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A “força principal” a partir de agora é o DINHEIRO.
Daqui a pouco vamos ter a Caixa, o BNDES, a Petrobras e o Banco do Brasil financiando uma equipe brasileira, a BRAZUCA S/A, e eu serei piloto.