Deuses, semideuses e os jarros de barro.

O que 2015 não fez e 2016 quer fazer: até tu, Manor?

O descontentamento de boa parte dos fãs da categoria máxima do automobilismo é notório, seja pela ausência de “barulho” dos motores, pela ausência de disputa pelo ponto mais alto do pódio, seja pela presença de carros totalmente fora da categoria e que só completam número. No entanto, embora fique no campo da expectativa, 2016 começa bem agitado e promete trazer alguns agrados.

Motor

Fórmula 1 é barulho e sem barulho não existe F1

A categoria não pode ser reduzida ao barulho, mas, sem sombra de dúvidas, nos muitos anos em que os carros de F1 cortaram as retas dos mais variados autódromos, uma das melhores recordações é o som característico. Para os mais saudosistas, o ensurdecedor grito do motor em pleno giro é música. Pensando nisso, foram cogitadas as mais variadas, sendo algumas bizarras, soluções: amplificadores, cornetas, aumento de giro, mudança no “wastegate” (válvula de alívio do turbo) etc. A mudança no “wastegate”, no entanto, parece ser a vencedora, o que representará um aumento significativo na emissão de som e poderá trazer algumas novidades e controvérsias: como a disposição do novo sistema no carro.

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Simples é bom: motor caro e complicado

De tempos em tempos, o regulamento da categoria muda, tentando tirar a vantagem que determinada equipe conseguiu ou para favorecer a competitividade. Após os 4 anos de domínio da Red Bull, resolveu-se criar o atual regulamento: um híbrido de complicação e preço exorbitante. A Mercedes, como todos sabem, conseguiu dar o bote certo e alcançou o domínio. No entanto, aliado a complicação do equipamento, a categoria que já é extremamente seleta tornou-se um desafio quase intransponível. Fornecedoras de motor com maior potencial, Mercedes e Ferrari, começaram a fazer jogo duro e ceder apenas versões desatualizadas de suas Unidades de Potência e a competitividade ficou seriamente comprometida.

Bernie Ecclestone e Jean Todt receberam poderes extras para lidarem com esta situação. Ideias como um motor alternativo e competitivo foram altamente cogitadas, além da padronização de algumas peças específicas, tudo com o intuito de baratear e motivar o desenvolvimento das equipes. Com a data limite de 15 de janeiro para apresentarem uma solução, as fornecedoras parecem estar beirando um acordo. Seja como for, por mais que gostem da engenharia envolvida, a maioria dos fãs gosta de ver “pegas” e nada melhor que um “motorzão” gritando alto, mas há outras questões envolvidas.

O Olimpo

Embora esteja atualmente numa posição relativamente confortável, a Mercedes não pode dizer que o campeonato deste ano está ganho, afinal a poderosíssima Ferrari galgou grandiosos passos no último ano e pretende galgar ainda mais. Outra que não pode ser desprezada é a Red Bull, embora com motores Renault rebatizados, é bem óbvio que eles sabem o que fazem, assim como a McLaren que fez feio e tem a obrigação de brilhar este ano. Por mais que pareça definido o destino das quatro, nenhuma delas pode ser ignorada e muito pode surgir nessa briga.

Os semideuses: o equilíbrio está no meio

Por mais que seja grande, a Williams vem tendo um desempenho modesto, ameaçando muito pouco o topo da fila. Logicamente ela não pode ser ignorada, mas os últimos 2 anos não deixaram a cotação muito alta pela vitória. No entanto, ela reverteu o quadro péssimo que havia desenvolvido em anos anteriores, se estabelecendo definitivamente na parte médio-superior do grid. Ou seja, a primeira entre os mortais. Merece destaque a Force India que confiou em seu projeto e estabeleceu significativos e consistentes resultados, especialmente na parte final do campeonato, confrontando com consistência a Williams. A Toro Roso virá com um novo motor (Ferrari) e promete ser ainda melhor, podendo dar novas oportunidades para o novato Verstappen, que foi a pessoa com mais personalidade durante o ano.

Haas

A Renault adquiriu a Lotus e provavelmente fará muito mais, sendo até mesmo injusto colocar a Renault na categoria intermediária. No entanto, foi o motor Renault que desapontou e gerou tanta confusão com a Red Bull nos últimos dois anos e embora eles devam zelar ainda mais pelo nome da marca e tenham sede de vitória, o mais seguro é reservar para eles um lugar mediano, na esperança de que despontem. A Haas virá equipada com motores Ferrari e chassis Dallara e mesmo sendo uma novata na categoria não deve brigar pela última posição. O que a maioria espera é um rendimento mediano, podendo ameaçar até mesmo a Force India.

Jarros de barro: só servem pra contar história

A Sauber só não foi a penúltima porque a McLaren fez uma pré-temporada estendida ao invés de um campeonato. Com um projeto extremamente insuficiente, a reformulação proposta a partir de Cingapura não pareceu criar efeitos positivos significativos. Para este ano sabe-se que o time pediu o adiantamento dos repasses financeiros e que Adrian Sutil abriu um processo milionário por quebra de acordo ao não lhe dar uma vaga em 2015.

Marussia

Já a Manor, a única a não pontuar no campeonato, vem com um ar revigorado, cheia de novidades e com a esperança de se mostrar competitiva. Nikolas Tombazis foi elencado como novo responsável pela aerodinâmica da equipe. Vale ressaltar que Tombazis trabalhou 23 anos com os projetos aerodinâmicos de Benetton, McLaren e Ferrari. Sem contar isso, os carros passarão a ser emburrados por Unidades de Potência da Mercedes e receberão caixa de câmbio da Williams. Não se pode esperar um título, mas com certeza há uma óbvia mudança na mentalidade do time. O próprio Diretor Técnico da Manor, John McQuilliam, mencionou que o seu pessoal não havia tido a oportunidade de mostrar toda a sua capacidade, mas que agora eles possuem grandes ambições. Será?