História: Desfile de Campeãs – FINAL

Lasciatemi guidare, perché non sono lento…

(Deixa-me guiar, pois não sou lento…)

 

EIS QUE CHEGA O QUARTO e último capítulo do Desfile de Campeãs. E este capítulo especial será dedicado a maior campeã do Mundial de Construtores da história da Fórmula 1, que com seus 16 títulos de Construtores, 15 títulos de Pilotos, 224 vitórias, 910 GPs disputados, 521 Pódios e quase 66 anos desde a primeira participação na Categoria Máxima do automobilismo, tem embalado o coração de milhares de fãs pelo mundo inteiro. Um time tão grandioso e marcante, cuja própria torcida merece um capítulo a parte.

SCUDERIA FERRARI

Italiana

Campeã do Mundial de Construtores em

1961 – 1964 – 1975 – 1976

1977 – 1979 – 1982 – 1983

1999 – 2000 – 2001 – 2002

2003 – 2004 – 2007 – 2008

História

O Comendador e o Primeiro Título

Nascido em 18 de fevereiro de 1898, Enzo Ferrari, também conhecido como “O Comendador Ferrari”, desde muito jovem era aficionado por corridas de carros. Autodidata em mecânica, a partir de 1919 passou a trabalhar para a CMN (Construzione Meccaniche Internazionali), inclusive como piloto. No ano seguinte passou a correr pela Alfa Romeo, que equiparia a Scuderia Ferrari, criada em 1929. A Alfa Romeo manteve essa relação com a Scuderia até 1938, quando decidiu absorver a mesma, o que acabou gerando um rompimento de contrato por parte de Enzo.

Embora tenha sido criada e baseada inicialmente em Modena, em 1943, as agruras da II Guerra Mundial forçaram a mudança da fábrica da Ferrari para Maranello, onde até hoje permanece. Sete anos depois, em 1950, o time italiano ingressou, já na segunda etapa, no recém-criado Campeonato de Fórmula 1. A primeira vitória no campeonato se deu no ano seguinte, no Grande Prêmio da Inglaterra. O primeiro Título no Mundial de Construtores viria em 1961, o que fez da Ferrari a terceira vencedora do Campeonato, já que o mesmo só foi iniciado em 1958. Enzo Ferrari faleceu em 14 de agosto de 1988, aos 90 anos, em Maranello.

Enzo Ferrari

Enzo Ferrari

Informação Adicional: Embora tenha criado aquela que se tornaria a maior recordista da categoria, após a morte de seu filho, Alfredino (Dino Ferrari), em 1956, Enzo deixou de ir aos autódromos em dias de competição e passou a adotar o uso constante dos óculos escuros.

Enzo Ferrari

Enzo Ferrari

Grandes Nomes, Campeões e o Jejum de 21 anos

O italiano Alberto Ascari (1918 – 1955), que ingressou na F1 junto com a Ferrari e guiou o carro rumo a primeira vitória da Scuderia, foi também o primeiro piloto a se tornar bicampeão da categoria em 1953, tendo vencido o campeonato de 1952. Infelizmente faleceu em 26 de maio de 1955 num acidente durante o teste de um carro esporte da Ferrari. A curva onde Ascari sofreu o acidente foi batizada de Variante Ascari e integra o famosíssimo autódromo de Monza, na Itália.

Ferrari - Alberto Ascari, 1952

Ferrari – Alberto Ascari, 1952

O pentacampeão Juan Manuel Fangio (1911 – 1995) já era tricampeão quando, em 1956, ele se juntou a Ferrari e conquistou o seu quarto título. O argentino que é considerado um dos maiores pilotos de todos os tempos integrou o time por apenas um ano, partindo para a Maserati no ano seguinte. Faleceu de insuficiência renal aos 84 anos.

Mike Hawthorn (1929 – 1959) tornou-se campeão graças, em parte, ao espírito esportivo e generoso de Stirling Moss, que intercedeu em seu favor numa desclassificação no GP de Portugal. Graças a isso Hawthorn venceu o campeonato de 1958 (1 ponto a frente de Moss) e em seguida se aposentou. Apesar disso, faleceu em 22 de janeiro de 1959 em um acidente automobilístico.

Wolfgang von Trips (1928 – 1961) foi o vice-campeão no ano do primeiro Mundial de Construtores da Ferrari, ao lado de Phil Hill (1927 – 2008), campeão daquele ano. No entanto, von Trips poderia ter se tornado campeão, caso não tivesse sofrido o acidente que lhe tirou a vida no GP de Monza, em 10 de julho 1961.

Já sete vezes campeão mundial de motociclismo em diferentes categorias, John Surtees (1934) ingressou na Fórmula 1 em 1960, tornando-se campeão pela Ferrari em 1964. É o único a ter conquistado ao menos um campeonato mundial em categorias tanto de duas rodas quanto de quatro rodas.

Austríaco, tricampeão mundial, nascido em 22 de fevereiro de 1949, Niki Lauda conquistou 2 títulos enquanto pilotava pela Ferrari (1975 e 1977). Foi protagonista de um das mais animadas brigas por campeonatos da história da categoria, quando competia diretamente contra James Hunt. Atualmente é presidente não-executivo da Mercedes.

Ferrari 312 T2 - Niki Lauda, 1977

Ferrari 312 T2 – Niki Lauda, 1977

Jody Schekter (1950), sul-africano, conquistou o título de Piloto com a Ferrari em 1979. Este título no entanto marcou o início de um jejum que duraria 21 anos, pois, apesar dos títulos do Mundial de Construtores de 1982, 1983 e 1999, a Ferrari só voltaria a ter um piloto campeão em 2000.

Era Schumacher e o Retorno ao Topo

Devido ao prolongado jejum no Mundial de Construtores (1983 a 1999), a Ferrari que havia superado a Lotus no número de títulos (8 a 7) seguiu perdendo terreno para a Williams e para a McLaren. Em 1997 a Williams superaria a gigante italiana por 9 a 8, tornando-se a maior campeã entre construtoras e no ano seguinte a equipe McLaren alcançaria o oitavo título, empatando com ela. O bicampeão pela Benetton, Michael Schumacher, no entanto havia se transferido para a equipe em 1996 e vinha tendo grandes progressos, que culminaram com o Mundial de Construtores em 1999. A equipe seguiria vencendo até 2004, conquistando assim 6 títulos consecutivos, isolando-se na frente. Junto consigo, Schumacher fez o impensável e conquistou 5 títulos seguidos (2000 – 2004), alcançando a marca de 7 títulos, que o tornaram até hoje o recordista de títulos (entre outros recordes).

Ferrari F2004 - Michael Schumacher, 2004

Ferrari F2004 – Michael Schumacher, 2004

Após dois anos não tão bons, sendo superada pela Renault, a equipe conquistaria mais um Mundial de Pilotos com Kimi Raikkönen e mais um Mundial de Construtores. Felipe Massa brigaria até a última curva (literalmente) do campeonato de 2008, perdendo o título por 1 ponto para Lewis Hamilton, esse ano marcou a última conquista da construtora.

Ferrari F2008 - Felipe Massa, 2008

Ferrari F2008 – Felipe Massa, 2008

A Atualidade

Vivenciando um jejum de 7 temporadas, a equipe conta com o tetracampeão Sebastian Vettel e com o campeão Kimi Raikkönen para trazerem de volta o troféu para a equipe de Maranello. Tendo sofrido muito como o novo regulamento de motores em 2014, o time reagiu em bem em 2015 e se firmou em 2º lugar no último campeonato, chegando a colocar Vettel como opção para o vice-campeonato. Auxiliada pela gestão de Mauricio Arrivabene, a scuderia ganhou novos ares e traz para 2016 a possibilidade de se consolidar como candidata real ao título. No entanto, tudo envolve muita especulação.

Algo que merece destaque é a alegria e o entusiasmo que Vettel levou consigo ao guiar o carro do “cavalinho rampante”, chegando a cantarolar, após uma vitória, uma versão própria de uma música italiana (L’Italiano (Lasciatemi Cantare), de Toto Cotugno. Que se tornou “Lasciatemi Guidare” na versão de Vettel). Tais acontecimentos conquistaram a empatia do público e acalentaram o coração dos “tiffosi”, o que é muito significativo, afinal, como dito no início desse texto, os torcedores da Ferrari são um capítulo a parte nesta grande história da Categoria Máxima do Automobilismo, a Fórmula 1.

Informações Adicionais

Símbolo

O principal símbolo da Ferrari é um escudo em cor amarela, adornado superiormente pelas cores da bandeira italiana, tendo em seu centro um cavalo negro sobre as patas traseiras e exibindo as iniciais de Scuderia Ferrari. Originalmente, o “Cavallino Rampante” (cavalinho rampante), como é conhecido, era pintado no avião de Francesco Baracca, um ás aviador e herói italiano que batalhou na I Guerra Mundial.

Logo Cavalinho Rampante

Cor

No princípio do Campeonato da Fórmula 1, as equipes participavam com as cores definidas para os países que representavam. A França era representada pela cor azul, a Inglaterra pela cor verde com uma faixa dourada, a Alemanha pela cor prata e a Itália pela cor vermelha. Mesmo não sendo mais obrigada, a Ferrari sempre sustentou a cor vermelha, que hoje é uma de suas marcas predominantes.

Outros Nomes

Fizeram parte da história da Scuderia Ferrari outros grandes nomes, que mesmo não tendo conquistado títulos com ela no Mundial de Pilotos, contribuíram muito para os 16 títulos no Mundial de Construtores ou são importantes demais para serem esquecidos: Rubens Barrichello, Clay Regazzoni, Gilles Villeneuve, Patrick Tambay, Lorenzo Bandini, Carlos Reutemann, Didier Peroni, Mario Andretti, René Arnoux, Eddie Irvine, Mika Salo, Alain Prost, Fernando Alonso etc.

Tiffosi, Ferrari